– Desculpe, senhora, não posso liberar o pacote. Somente com a presença do destinatário.
– Ele está no hospital, eu já disse. Este livro está há três dias no correio por causa desse problema. — Nós somos casados, veja só meu passaporte. Viu? Meu marido assinou a autorização para que eu buscasse a encomenda.
– Ele tem de vir até a agência, me desculpe.
– Mas eu já falei que ele está internado! Ele precisa desse livro com urgência. Se não puder vir nos próximos dias, o livro não será enviado de volta?
– Não sei, sinto muito. Próximo da fila, por favor.
– Posso falar com seu chefe?
– Um minuto.
– Pois não?
– Oi, meu nome é Ana Maria, sou brasileira, casada, e meu marido está no hospital. Ele é professor, faz doutorado na Universidade de Aachen, recebeu uma encomenda de um livro e vim aqui para buscá-lo. Não temos mais ninguém que poderia vir aqui no lugar dele. Não tenho carro, estou cansada e preciso de ajuda. Ela não quer me dar a encomenda, diz que ele deve vir aqui. Mas não sei quando ele deve deixar o hospital, entende? Por favor, vocês poderiam liberar esse livro? Por favor?
– Claro. Irei buscá-lo.
Atrás da porta de vidro, o funcionário toma um esporro da chefe da seção. E volta cabisbaixo.
– Desculpe-me. Houve um problema, não posso liberar essa encomenda.
– Por quê?
– Não me permitiram.
– Mas você não é o gerente?
– Sim.
Ela então notou o seu crachá e compreendeu por fim quem ele era.

