Esses dias em que acordo de mau humor dizem mais sobre nós dois do que qualquer evidência encontrada numa fotografia ou na lembrança de tantos porquês; a incoerência agitada logo cedo — mas precisava olhar para ela daquele jeito ontem à noite? –, não, realmente não estou tranquila e meu sorriso nem era tão sincero assim; você confessa no meu ouvido que a quis, por um segundo aquilo até me excita, mas porra, você bem que podia sentir ciúmes de mim de vez em quando. Essa frieza que me assusta ainda e me faz acordar pensando que poderia estar num lugar mais quente, mas peraí, esse quarto está um forno, saudade daquela nossa cama, você não acha? Foda-se a minha cama pequena, que fique no apartamento, eu quero aquela queen, em que cabemos à vontade, espalhados pelo tempo e espaço, eu satisfeita de manhã pela noite bem dormida. Sim, eu tenho ciúmes de você, sempre tive. Os livros me salvaram — disso você não sabia! –, por isso a solidão sempre foi o ponto mais seguro. Ninguém para encher, para cobrar, para esperar felicidade de mim. Até que foi bom nesse sentido; os copos, o cinzeiro, as roupas ficaram no último lugar que minhas mãos estiveram, durante um ano sozinha no apartamento azul. Sim, magoei, mas perdoei também, o que há de se fazer. Um dia aprendo a engolir todos os pavores, já que em paz eles jamais me deixarão. Aprendo a transformar esse abismo criado ao acordar em algo que me liberte do medo de te perder mais uma vez.
abril 20, 2011

