Impermanência

Tudo está igual, embora um pouco diferente. Tento disfarçar, abro a caixa de cartas e o passado mais remoto se volta para mim. Mas não há mais portas antigas: apenas uma multidão de sozinhos. O ar poluído, o abraço dos velhos amigos, a deliciosa pizza no sábado à noite. Voei tanto e ainda não cheguei. Por enquanto, os sons da televisão e dos alarmes disparados na rua me fazem lembrar e esquecer, lembrar e esquecer, silenciar e esperar. Tudo passou muito rápido. Retornar dá tanto trabalho que só não desisto porque já voltei. No break. No way.

*

Dois quartos, uma rua tranqüila e uma janela grande. O carreto levando o sofá roxo e os livros empoeirados, uma geladeira nova na cozinha. Você no domingo à noite e na segunda de manhã.

É só isso o que eu queria.

~ por anita peres em Setembro 8, 2008.

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